Comissão Local do XI CBA fortalece diálogo com a ANA para construção do congresso



Plenária da ANA em Aracaju.
Acalorando ainda mais as terras de Aracaju (SE), representantes de diferentes redes, movimentos e organizações que constroem a agroecologia no Brasil se reuniram entre os dias 19 e 22 de março, na Plenária da Articulação Nacional de Agroecologia. Neste ambiente de convergências impulsionador da potência criativa e afetiva do coletivo, foram geradas reflexões sobre a atuação no atual contexto, considerando os desafios e retrocessos em direitos enfrentados, bem como as alternativas conjuntas para o fortalecimento da agricultura familiar e camponesa e dos povos e comunidades tradicionais na construção da agroecologia, da reforma agrária e da soberania alimentar.

As realidades vividas pelas redes de agroecologia foram compartilhadas por representantes das diferentes regiões, ampliando entendimentos sobre como as dinâmicas acontecem e aprofundando olhares sobre como as experiências podem ser traduzidas em uma maior conexão entre os movimentos e também com a sociedade em geral. Foram apresentadas as experiências da Articulação Tocantinense de Agroecologia, da Rede Sergipana de Agroecologia (Resea), do Núcleo Planalto (RS) da Rede Ecovida de Agroecologia e também do projeto Ecoforte Redes, que reuniu 24 redes de agroecologia brasileiras.

Comissão Local do CBA dialoga com a ANA em plenária.
Além disso, a Plenária da ANA se constituiu em uma oportunidade de fortalecimento do diálogo entre a Comissão Organizadora Local do XI CBA e as redes que compõem a ANA. Em uma roda de conversa, foram apresentadas as demandas e os desafios atuais para a preparação do congresso. Em seguida, as pessoas presentes tiraram dúvidas e registraram contribuições ao processo organizativo.

O XI CBA traz o lema Ecologia de Saberes: Ciência, Cultura e Arte na Democratização dos Sistemas Agroalimentares, pautando a construção de uma ciência cidadã, crítica e que consiga criar ambientes que possibilitem a ecologia de saberes e aproxime os diversos sujeitos que constroem a Agroecologia. Compartilhar os desafios das ações propostas e colher as possibilidades de apoio, instigando a ANA a pensar em como pode colaborar nessa construção coletiva, é uma forma de mobilizar os territórios agroecológicos e da sociedade em geral nesta caminhada.

Experiências agroecológicas

O movimento agroecológico se fortalece rumo ao XI CBA.
Enraizando as discussões no território que acolheu a Plenária, cinco rotas percorreram os quatro cantos de  de Sergipe, promovendo vivências em experiências agroecológicas construídas nos distintos locais do estado. Foram visitados assentamentos da reforma agrária, uma casa de sementes crioulas, unidades familiares e coletivos camponeses de produção de alimentos orgânicos, uma escola família agrícola, experiências de transição agroecológica e de organização de mulheres extrativistas.

Os diferentes sujeitos políticos que se auto-organizam na ANA – mulheres, juventudes, indígenas e quilombolas – e grupos e coletivos temáticos refletiram e apresentaram suas principais agendas e perspectivas de organização nos próximos períodos, enriquecendo as discussões sobre os temas mobilizadores da Articulação. Saíram fortalecidos lemas como: “Sem Feminismos, não há Agroecologia”; “Se tem racismo, não tem Agroecologia” e “Se há LGBTfobia, não há Agroecologia”.

Expressando e buscando cada vez mais “unidade na diversidade”, o movimento agroecológico se fortalece como terreno fértil para a construção de outras relações possíveis, justas e sustentáveis, entre as pessoas e a natureza e das pessoas entre si, e como componente essencial para o desenvolvimento democrático do Brasil.