Poesia de Maicon Catingueiro
Articulação Paraibana de Agroecologia (ARPA PB)

Na voz de Vitória Trajano
Jovem camponesa paraibana

Tecendo o CBA
Chega pra cá minha gente
Vem curtir a novidade
Espaía essa notícia
No campo e na cidade
Com camponeses e camponesas
E também com a mocidade

Faz um TEMPO BOM
Que estamos a matutar
De um modo coletivo
A construção do CBA
E depois dessa matutada
Nós viemos anunciar
Anunciar um CBA
Que tenha cara de povo
Uma ciência popular
Que nos traz um tempo novo
O CBA nos territórios
É algo que a gente sente
Por ser teia coletiva
Nos deixa muito contente

O CBA é um futuro
Presente em nosso presente
A nossa identidade
Vem do meio popular
Vem de quem resiste forte
Na defesa do lugar
Tendo cheiro, raízes e cores
Vem de quem exalar amores
Vindo a nos alimentar

Realizando anúncios
Ajudando na construção
Criamos o nosso site
Com a comunicação
Divulgando os processos
Tecido por muitas mãos
Acesse cbagroecologia.org.br
E fique atualizado
Construindo juntos e juntas
Caminhando lado a lado
Misturar CBA e Nordeste
É um processo arretado.

#XICBA #SemCulturaNãoHáAgroecologia #CBANordeste #JuventudeAgroecológica #AgroecologiaÉoCaminho #EcologiaDeSaberes #VemCBA

Rumo ao XI CBA: adubando a terra, semeando esperança

III Encontro Nacional de Agroecologia. Foto: Cintia Barenho
Produzir coletivamente um encontro como o Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA), mergulho que nos propomos a fazer a cada dois anos, é um potente desafio. Na certeza de que só é possível realizá-lo ao lado das diversas organizações que caminham conosco e com as quais construímos nossa trajetória, este ano teremos o XI CBA. Animado pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e pela Rede Sergipana de Agroecologia (RESEA), o evento será realizado de 4 a 7 de novembro de 2019, na Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Com o lema Ecologia de Saberes: Ciência, Cultura e Arte na Democratização dos Sistemas Agroalimentares, e ressaltando a importância dos processos preparatórios descentralizados nos territórios, um de nossos horizontes é fortalecer os espaços de organização e mobilização social dos diversos sujeitos que constroem a agroecologia enquanto prática, ciência e movimento.

E, como todo grande encontro, a realização do XI CBA nos traz diversos desafios. Acolhemos o que chega e tentamos, coletivamente, encontrar caminhos para solucionar as demandas, seguindo os princípios agroecológicos e nossos sonhos de fortalecer a construção do conhecimento.

Com o CBA se aproximando, o período de submissão de trabalhos aberto e a necessidade de nos organizarmos para contribuir com a construção do congresso de forma qualificada a partir dos territórios, atentamos para uma questão central: o entendimento do CBA não apenas como um evento ou um “éééé vento”, aquele que vem, cumpre seu papel e passa. O congresso é muito mais que um momento de alguns dias, é um processo coletivo de construção e fortalecimento. Por isso, toda crítica, sugestão e contribuição são mais que bem vindas, bem como as mãos, mentes e corações para construir em conjunto.

Seguimos a disposição, em parceria e em rede, construindo conhecimento!

1ª Oficina de Alimentação mapeia produção agroecológica do Estado de Sergipe

"Põe a semente na mão de quem semeia. Põe a semente na mão do semeador. Põe a semente na terra e deixa germinar. A semente nasce e cresce. Ela vai dar bom fruto e vai saciar". 

1° Oficina de Alimentação é realizada em Sergipe.
Foto: Priscila Viana.
Sob as bênçãos da memória ancestral e da força do alimento, foi realizada a "1° Oficina de Alimentação" preparatória para o XI Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA). Com o tema "Cultura Alimentar e Produção Agroecológica em Sergipe", a oficina reuniu cerca de 50 pessoas entre a sexta e o sábado, 12 e 13 de abril, no Assentamento Quissamã, em Nossa Senhora do Socorro, para iniciar a construção coletiva do mapa geográfico da produção agroecológica de Sergipe.

Com os pés na nossa abençoada terra e a mente voando bem alto rumo aos sonhos, agricultores e agricultoras dos territórios agroecológicos e empresas fornecedoras de alimentação coletiva em Sergipe caminharam rumo ao fortalecimento da parceria necessária para garantir uma alimentação agroecológica durante o XI CBA, que será realizado em Sergipe, entre 4 e 7 de novembro de 2019.

Grupos mapeiam produção agroecológica.
Foto: Márcio Santos.
A partir de uma metodologia participativa de mapeamento, as/os participantes foram divididos em grupos simbolizados por diferentes regiões do Estado. Cada grupo encarou o desafio de mapear a produção agroecológica dos territórios, tendo como horizonte a preparação da alimentação do XI CBA. Em seguida, o mapeamento por região foi sistematizado em plenária, oportunidade de aprofundamento do diálogo entre as agricultoras e os agricultores e as empresas fornecedoras de alimentação.

"Muito interessante essa troca de experiências entre as comunidades e é incrível perceber a disponibilidade e variedade de produtos que temos por todo o Estado, coisas que eu nem sabia", afirmou a marisqueira Maria Geonísia, mais conhecida como Nice, moradora do povoado Muculanduba, em Estância.

Durante os dois dias de oficina, o alimento foi o personagem principal, a partir da sua simbologia de memória, identidade e valor cultural para os povos. Ao final do evento, foi formado um Grupo de Trabalho (GT) da Alimentação, que seguirá se dedicando à articulação e fortalecendo a parceria necessária para garantir uma alimentação 100% agroecológica durante o XI CBA.



Comissão Local do XI CBA fortalece diálogo com a ANA para construção do congresso



Plenária da ANA em Aracaju.
Acalorando ainda mais as terras de Aracaju (SE), representantes de diferentes redes, movimentos e organizações que constroem a agroecologia no Brasil se reuniram entre os dias 19 e 22 de março, na Plenária da Articulação Nacional de Agroecologia. Neste ambiente de convergências impulsionador da potência criativa e afetiva do coletivo, foram geradas reflexões sobre a atuação no atual contexto, considerando os desafios e retrocessos em direitos enfrentados, bem como as alternativas conjuntas para o fortalecimento da agricultura familiar e camponesa e dos povos e comunidades tradicionais na construção da agroecologia, da reforma agrária e da soberania alimentar.

As realidades vividas pelas redes de agroecologia foram compartilhadas por representantes das diferentes regiões, ampliando entendimentos sobre como as dinâmicas acontecem e aprofundando olhares sobre como as experiências podem ser traduzidas em uma maior conexão entre os movimentos e também com a sociedade em geral. Foram apresentadas as experiências da Articulação Tocantinense de Agroecologia, da Rede Sergipana de Agroecologia (Resea), do Núcleo Planalto (RS) da Rede Ecovida de Agroecologia e também do projeto Ecoforte Redes, que reuniu 24 redes de agroecologia brasileiras.

Comissão Local do CBA dialoga com a ANA em plenária.
Além disso, a Plenária da ANA se constituiu em uma oportunidade de fortalecimento do diálogo entre a Comissão Organizadora Local do XI CBA e as redes que compõem a ANA. Em uma roda de conversa, foram apresentadas as demandas e os desafios atuais para a preparação do congresso. Em seguida, as pessoas presentes tiraram dúvidas e registraram contribuições ao processo organizativo.

O XI CBA traz o lema Ecologia de Saberes: Ciência, Cultura e Arte na Democratização dos Sistemas Agroalimentares, pautando a construção de uma ciência cidadã, crítica e que consiga criar ambientes que possibilitem a ecologia de saberes e aproxime os diversos sujeitos que constroem a Agroecologia. Compartilhar os desafios das ações propostas e colher as possibilidades de apoio, instigando a ANA a pensar em como pode colaborar nessa construção coletiva, é uma forma de mobilizar os territórios agroecológicos e da sociedade em geral nesta caminhada.

Experiências agroecológicas

O movimento agroecológico se fortalece rumo ao XI CBA.
Enraizando as discussões no território que acolheu a Plenária, cinco rotas percorreram os quatro cantos de  de Sergipe, promovendo vivências em experiências agroecológicas construídas nos distintos locais do estado. Foram visitados assentamentos da reforma agrária, uma casa de sementes crioulas, unidades familiares e coletivos camponeses de produção de alimentos orgânicos, uma escola família agrícola, experiências de transição agroecológica e de organização de mulheres extrativistas.

Os diferentes sujeitos políticos que se auto-organizam na ANA – mulheres, juventudes, indígenas e quilombolas – e grupos e coletivos temáticos refletiram e apresentaram suas principais agendas e perspectivas de organização nos próximos períodos, enriquecendo as discussões sobre os temas mobilizadores da Articulação. Saíram fortalecidos lemas como: “Sem Feminismos, não há Agroecologia”; “Se tem racismo, não tem Agroecologia” e “Se há LGBTfobia, não há Agroecologia”.

Expressando e buscando cada vez mais “unidade na diversidade”, o movimento agroecológico se fortalece como terreno fértil para a construção de outras relações possíveis, justas e sustentáveis, entre as pessoas e a natureza e das pessoas entre si, e como componente essencial para o desenvolvimento democrático do Brasil.



Semeando Resistência, Soberania e Arte: O XI CBA já começou!

“Matutando o CBA
Chega pra cá minha gente
Convida a companheira
Juntamos os movimentos
Presentes na caminhada

CBA 2019
Aqui foi dada a largada

As nossas experiências
Servem para nos ensinar
Aprendemos com o ENA
Que fizemos em BH
Com os CBAs anteriores
Brasília e Belém do Pará

Valorizando os saberes
Da cultura popular
Dos indígenas e quilombolas
Nos ajudam a caminhar
Fortalecendo a agroecologia
Pra os povos empoderar

Foi através da resistência
Que chegamos até aqui
Disputando os territórios
Pra podermos existir
Um mundo agroecológico
É o que queremos construir

O CBA será um sucesso
Eu sei bem como é que é
Nós temos o principal
Que é a força da mulher
De camponeses, da juventudes
A todos força e saúde
Plantemos no povo essa fé

A mística da agroecologia
É coisa que a gente vive
Os sonhos aqui sonhados
É preciso que os cultive
Sigamos nessa construção
Fazendo a revolução
E gritando Lula Livre!”
(Maicon Catingueiro, cordelista e da Rede Paraibana de Núcleos de Agroecologia)

Comissão Local realiza 1ª Pré-CBA. Foto: Priscila Viana
Na construção e na luta por uma ciência popular que dialogue com os desafios do campo e na cidade nos encontramos e partilhamos experiências. Esta foi a energia que circulou durante o “Seminário de Pesquisa e Políticas Públicas em Agroecologia”, realizado na tarde do dia 23 de agosto na Universidade Federal de Sergipe (UFS) e organizado pela Rede Sergipana de Agroecologia (RESEA) e Comissão Local do XI CBA, como atividade de abertura do Seminário Regional de Construção do XI CBA. Garantir espaços de reflexão e apontar caminhos para seguirmos construindo a agroecologia nos territórios foram alguns dos objetivos do encontro.

Com a participação de diversos coletivos, agricultoras e agricultores da região Nordeste, Núcleos de Estudo em Agroecologia, instituições de ensino, pesquisa e extensão, representantes dos movimentos sociais realizou-se o I Seminário Regional para construção do XI CBA, que encerrou suas atividades acompanhando a Romaria da Terra no município de Canhoba, no dia 26, domingo.

Como cantou Dona Josefa, guardiã de sementes e histórias do Quilombo Sítio Alto, no município de Simão Dias (SE): “Põe a semente nas mãos de quem semeia. Põe a semente na mão do semeador. Põe a semente na terra, A semente nasce e cresce na mão do trabalhador”

A arte e a cultura popular: a força e a sensibilidade do nordeste

Centenas de mãos tecem os rumos do XI CBA.
Foto: Priscila Viana
Inspiradas e inspirados pela história do Vaza Barris, que nasce no sertão da Bahia e corre por 450 km até desaguar no oceano Atlântico e banhar o litoral sergipano, demos início ao desenho do próximo Congresso Brasileiro de Agroecologia, que terá sua culminância em novembro de 2019 em Sergipe. O rio traz em suas águas a luta popular travada em Canudos (1896-1897), liderada por Antônio Conselheiro com a participação de milhares de sertanejas e sertanejos que exigiam melhores condições de vida e acesso a terra, contra as oligarquias locais.

Durante os dias 24 e 25 sonhamos e tecemos, a 160 mãos, os objetivos do CBA do Nordeste. Os sonhos se materializaram em nosso planejamento de ações nos territórios, trazendo os anúncios e denúncias, mobilizando os processos preparatórios e fortalecendo as práticas agroecológicas locais como pontos de partida para construção descentralizada, plural e solidária.

Rumo ao XI CBA: processos preparatórios fortalecem os passos.
Foto: Priscila Viana
Foram apontadas seis comissões para seguirmos na construção do XI CBA: Secretaria Executiva; Infraestrutura e Logística; Técnico-Científica; Captação de Recursos e Parcerias; Metodologia e Comunicação, Cultura e Arte. O momento de colheita de sugestões e inspirações é fundamental e potencializa nossa criação conjunta, acolhendo a diversidade de expressões, temas e formas de trabalhar em coletivo.O lema e objetivos do congresso serão divulgados em breve, assim como os próximos passos!