SOBRE AS INSCRIÇÕES

Nota da ABA-Agroecologia e da Comissão Local do XI Congresso Brasileiro de Agroecologia 


Construir um Congresso como o CBA em uma conjuntura política, financeira e social tão adversa vem sendo um grande desafio. Poderíamos enumerar as múltiplas ameaças que os processos democráticos vem enfrentando, além dos inúmeros retrocessos na defesa dos nossos direitos, dos nossos bens naturais, no acesso à saúde e a educação pública, gratuita e de qualidade como um todo. Mesmo que essa lista seja extensa, esse exercício não esgotaria o conjunto de ameaças que enfrentamos e resistimos em muitos contextos.

Nestas condições de construção, a ABA-Agroecologia e a Comissão Local partilham de não receber recursos advindos de rubricas que não estejam sintonizadas aos princípios políticos que assegurem o diálogo e a coerência com as práticas da Agroecologia. Assim, toda a estrutura física, metodológica e operativa necessária para viabilizar o XI CBA será custeada, em grande parte, pelas inscrições, além de apoios específicos provenientes de organizações parceiras e com as quais haja uma convergência de princípios.

Contar com o apoio financeiro das inscrições é contar com uma arquitetura descentralizada, plural e colaborativa que permite que o Congresso garanta a realização de suas ações mínimas, em um processo que se assemelha aos inúmeros financiamentos colaborativos que diversas organizações, redes e coletivos têm proposto para manter suas ações, com a participação ativa de quem apoia e partilha os princípios e práticas das iniciativas.

Cabe esclarecer, ampliando o olhar para outros congressos acadêmicos, que o XI CBA fez um esforço expressivo de reduzir suas taxas de inscrição e de criar preços diferenciados, respeitando as condições desiguais e estruturais nas quais estamos inseridas/os.

Com a presença cada vez mais marcante de agricultoras/es, estudantes e representantes dos povos e comunidades tradicionais, os CBAs também estão em transição, aprendendo com a prática dos povos e dos movimentos sociais e dialogando com uma diversidade grande de sujeitos coletivos envolvidos com o fazer da Agroecologia enquanto ciência, prática e movimento. Alguns avanços importantes e desafios são percebidos, buscando coerência entre o discurso e a prática, e que ainda estão colocados à todos e todas nós.

Perceber nossa responsabilidade coletiva neste processo é também compreender que o CBA estará sempre em construção e que o ambiente do congresso é um espaço de reflexão, cuidado e zelo conjunto. Ao chegarem na UFS perceberão que, para além da preocupação com a apresentação e publicação dos relatos que trazem a riqueza da Agroecologia nos territórios, haverão inúmeras equipes autogestionadas de trabalho que viabilizam cada parte e momento do congresso.

Os desafios que vivemos neste processo nos trazem a oportunidade de construir relações mais solidárias, respeitosas e coletivas, compreendendo o esforço dessa comissão em equacionar muitas demandas. Mas, novamente, é preciso reforçar que não será possível atender a todas elas, pois é preciso garantir a participação das comunidades e há uma orientação de que os próprios grupos se auto organizem na construção de alternativas para solução de suas necessidades básicas.

O diálogo e o planejamento integrado entre as instituições de ensino, pesquisa e extensão, os grupos, Núcleos de Agroecologia, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e articulações de agroecologia de cada estado, região e comunidade serão essenciais para que possamos viabilizar Caravanas e demais apoios necessários à cada contexto. Neste sentido, reforçamos o diálogo com a coordenação regional da ABA-Agroecologia nos territórios, cujos contatos se encontram no site - www.aba-agroecologia.org.br

Organizamos as dúvidas mais frequentemos que temos recebido neste link: http://www.cbagroecologia.org.br/p/duvidas-frequentes.html

Encerramos fazendo um convite para que vocês possam se associar à ABA-Agroecologia, pois essas contribuições possibilitam um extenso trabalho em rede e o custeio de despesas institucionais que permitem o funcionamento da Associação, mantida por meio da ação voluntária de muitas pessoas.

Agradecendo a escuta e o diálogo saudável, a partilha dos vários relatos que chegaram e estamos certas de que este XI CBA será uma expressão dos nossos esforços coletivos, nossas resistências cotidianas e do potencial de alianças entre quem constrói e apoia a Agroecologia, no campo, nas cidades, nas águas, florestas e sertões de todo país!

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