Agricultura e agroecologia são do gênero feminino

Mulheres negras lutam por visibilidade
“Certa vez, ouvi de uma agricultora que a mulher criou a agricultura, pois partiu do gênero feminino, e que o homem criou o agronegócio”, disse Larissa Nunes, estudante de engenharia ambiental, se referindo a uma declaração ouvida anos atrás em um encontro de agroecologia. Para ela a declaração resumiu o significado do papel feminino no debate agroecológico, pois se a mulher não estiver inserida no movimento da agroecologia, perde-se o senso político e ecológico. 

Assim como Larissa, outras mulheres que participaram do IX Congresso Brasileiro de Agroecologia levantaram a bandeira feminista, justamente para levar foco à questão das mulheres inseridas na diversidade de debates que envolvem o tema.


Com um estande na Feira de Saberes e Sabores, a expositora Fabiana Araújo falou da importância de comercializar seus produtos em eventos como o CBA. “A feira é um espaço importante de valorização e empoderamento das mulheres”, enfatizou. 
Fotos: Vinicius Kuromoto

A valorização feminina no modo de produção extrativista e na comercialização é um debate que vem ganhando força nos ambientes dedicados a contribuir para a perspectiva agroecológica. Camponesas dividem com outras jovens suas experiências, tanto como agricultoras quanto no papel da mulher em meio a uma sociedade majoritariamente administrada por homens. 


Outra importante pauta da causa feminista é a questão das mulheres negras, que reforçam a luta por visibilidade. Parte de uma comunidade quilombola, Maria Luiza Nunes destaca a pouca presença de mulheres negras nos espaços de conversação feminista no campo. Ela participou da feira com a venda de camisas artesanalmente customizadas. Para Maria Luiza, cada peça traz uma herança ancestral e isso interfere diretamente na marca, pois quando se olha para as roupas sabe-se que são feitas por mulheres negras. 

“Você vê o debate de agroecologia e feminismo, mas de quais mulheres estão falando? De que feminismo estão falando? Aonde estão as mulheres negras na agroecologia?”, questiona Maria Luiza, evidenciando a necessidade de aprofundamento na discussão. 

Julia Klautau Guimarães – estudante de jornalismo da Universidade da Amazônia.