Garantia do território é essencial para sobrevivência dos povos indígenas

Leosmar Terena e Jairá Tingui Botó (Foto: Vinicius Braga)
A garantia do território e as práticas agrícolas de base ecológica são imprescindíveis para a reprodução dos costumes dos povos indígenas. Essa foi uma das considerações da mesa redonda que discutiu territórios indígenas e agroecologia na manhã desta terça-feira (29), dentro da programação do IX Congresso Brasileiro de Agroecologia, em Belém/PA.

De Alagoas, Jairá Tingui Botó afirmou que os princípios agroecológicos, historicamente, fazem parte do modo tradicional de produção agrícola dos indígenas. “Por isso o termo ‘transição agroecológica’ não se aplica aos povos tradicionais. Nós já praticamos agroecologia desde sempre e disso depende a nossa reprodução social”, disse. 


Segundo ele, a agricultura moderna e seus pacotes tecnológicos ameaçam o modo de vida e os costumes dos povos indígenas. “Cabe ao Estado brasileiro assegurar nossos direitos, mas o que temos visto é o contrário”, lamentou.

Leosmar Terena, do Mato Grosso do Sul, região que tem chamado atenção nacional por conta de violentos conflitos, contou que seu povo se ressente das políticas de integração promovidas pelo Estado brasileiro ao longo dos séculos. “Um povo tradicionalmente agricultor como o meu hoje necessita de auxílios governamentais para se alimentar. Isso é resultado de um modelo de desenvolvimento imposto aos indígenas”, disse.  

A necessidade de participação dos povos indígenas nas decisões sobre políticas públicas foi outra questão levantada pela discussão. Iran Xukuru trouxe a sua experiência de trabalho na extensão rural junto ao Instituto Agropecuário de Pernambuco. 

De acordo com ele, conciliar a burocracia estatal com as concepções sagradas de agricultura dos povos indígenas é um desafio que deve ser enfrentado. “Com o pé dentro da estrutura do Estado, temos de buscar que haja uma colaboração ou, no mínimo, evitar que o governo atrapalhe”, afirmou.

Outra experiência foi trazida por Ronaldo Amanayé, do Sudeste do Pará. Em colaboração com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), os sábios de sua aldeia elaboraram um curso técnico em agroecologia. Ele próprio foi um dos formados e disse que a proposta é que os alunos possam voltar para a aldeia e gerir melhor o território.

Vinicius Braga - MTb 12.416/RS